segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Culturas Cariocas

Culturas Cariocas (Gustavo Moura Brasil)

Hoje, além da magnífica cultura popular do Rio. Encontramos novas culturas. Frutos do desen-volvimento do liberalismo, da burguesia burra carioca e as péssimas administrações da cidade. Nunca pensaram em desenvolver a cidade ou preservar a natureza. Pelo contrário, pensam no hoje, no agora. Esquecem do futuro de seus filhos. A falta de emprego, de escola, lazer e também certo jeitinho malandro formaram manifes-tações únicas e contagiosas.

Uma delas são os famosos flanelinhas, uma praga, um crime, malandragem. Mas tomou conta do Rio. Talvez inspirados pelos filmes americanos com guardadores de carros, em hotéis e restaurantes. Ou pela falta de fiscalização (não é difícil localizar os lugares de concentração de carros). As pessoas são obrigadas a pagar por “proteção” ou por não agressão. Um “serviço” que é pago antecipado. E quando voltamos. KD? Cadê o malandro? Sumiu. Se não pagarmos? Há... Já ouvi alguns casos. O mais comum, são carros arranhados. Mas há outros. Um amigo meu, foi ao jogo do Vasco em São Januário. Estacionaram, e logo escutaram: - Dez conto patrão!!! Sem dinheiro mesmo, falaram: – Tá maluco. Deram dois reais e foram ver o jogo. Quando voltaram não tinha carro nem flanelinhas. Acho que os dois foram embora juntos. Roubar rádios de carro, também é muito comum. Meu pai mesmo já caiu nessa. Já chegaram ao cúmulo de cobrar 20 reais no MAM, num desfile de moda. Daqui a pouco é mais barato ir táxi.

Outra cultura é o arrastão. Que não precisa ser na praia. Pode ser qualquer lugar. Não precisa ser de pobres. Já vi muito afortunado tirando onda de ladrão de camisa de futebol. Existe na praia, nos estádios, na rua, no ponto de ônibus. Na Lapa tem arrastão da polícia. Levam todo o dinheiro de quem gosta de um fuminho. Depois querem ser amados. Eu mesmo já sofri um arrastão. Num jogo do “Mais Querido”, no Maracanã. Saia calmamente do ônibus na praça Sans Peña. Quando fui atropelado por vários rubro-negros. Veio um moleque pequenininho e começou a me revistar. Sorte que duro não leva dinheiro no bolso. Mas meu azar era um saco de cerveja que eu carregava. Consegui sair na base empurrão, quando um malandro viu a cerveja e deu o bote. Levou metade do saco e deixou as cervejas. Praticamente um milagre. O roubo passou para a cultura do jovem carioca. É inaceitável, para um grupo jovens, ver uma pessoa “dando mole”. O mais saidinho bota pilha e lá vão todos eles se aproveitar da situação. Mas os governantes vão além. Dizem que próximo as eleições, já houve casos de inimigos políticos promoverem arrastões. Juntam cabos eleitorais, mandam assaltarem turistas para prejudicar seus opositores.

Não pára por ai. Existe uma cultura que não é nova, mas aumentou muito nos últimos anos. A cultura dos pedintes. Há tempos atrás era considerado humilhação. Hoje é normal. Vemos idosos, adultos, deficientes, adolescentes e o mais cruel crianças. Todos pedem, pedem, imploram, insistem, sufocam e ficam indignados. Sabemos que são vitimas dos desmandos de um sistema concentrador e perverso. E não se expande só no Brasil. Na Argentina, um menino me fez a seguinte pergunta: Tu tenes pesos, euro, dólar? Quando percebeu que era brasileiro: Tenes real? Em Vila Izabel, um homem insistente me perseguiu. Falava: - Eu não vou beber. É pra comer. Falou 53 vezes a mesma frase. Talvez quisesse me ganhar na persistência. Tive que bota-lo para correr. Me dói, me entristece, sei dos motivos, da situação, mas não posso concordar com o dinheiro fácil. Esta é uma questão social grave, unida a jeitinho impiedoso.

Mas o que me irrita é ver o nojo das dondocas e o desprezo dos engravatados ou pior, ver os jovens engravatados e as pequenas dondocas se divertirem maltratando e assassinando moradores de rua. Uma encruzilhada, uma luta para uns e uma diversão para outros. E os homens de bem, e as mulheres de caráter. No meio de tudo isso, sem poder se defender e sem poder fugir.

Eu garanto, eu afirmo que virão outras culturas. Que poderão nos afetar ou não. É esse o Rio de Janeiro capital da alegria e do desespero. Capital cultural de um Brasil nada melhor.

Gustavo Moura Brasil
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