quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Um tipo de mulher



Há mulheres e mulheres.

Numa vez, num desses exercícios de carioquice e brasilidade. Surpreendi uma mulher. Bonita, de corpo e de rosto e uns vinte anos mais velha. Toda a terça, a encontrava no ponto de ônibus. Parecia marcado, na terça feira lá estava ela e me olhava. Resolvi agir.
Na primeira oportunidade, ataquei:
- Oi, tudo bem! Eu reparo em você direto. Gostaria muito de te conhecer. Você é muito atraente...
As palavras dela:
- Eu também reparo em você. Mas agora não posso falar.

Estávamos em frente a uma quadra pública, na esquina da Rua do Matoso.
- Os amigos do meu ex-namorado estão jogando bola. Podem contar pra ele.

Me retirei. Quem ficou preocupado fui eu. Mas não ia desistir. Ex-namorado é coisa do passado. No outro dia, dei de cara com ela... Conversamos, pegou meu telefone. Alguns beijos e só. No sábado, ela me ligou: - Gustavo, tudo bem? É a Claudia. – Oi Claudinha tudo bem. Como você tá?- vamos nos encontrar? – claro, onde? - vou saltar um ponto antes e a gente se encontra. – Beleza.
Às dez horas da noite, parti de casa para o encontro. Esperei o ônibus 432. Passaram um, dois, três. Quando ela desce, linda, com uma microssaia, pronta para o pecado. Veio, me beijou e caminhamos em direção à Praça do Estácio.
- Eu gostei muito de conhecer você. Você beija muito bem.
- Obrigado. Você é linda e também beija bem.
- Só que eu tenho um problema.

IHHHHH. Lá vem merda.
- Qual problema?
- Há... meu ex-namorado... eu terminei com ele, tem um mês.
- Porque vocês terminaram?
- Ele é muito violento. Eu até gosto de ser dominada. Gosto de Homem.

UHHHMM. Mulher de malandro. Gosta de apanhar. Comecei a me arrepender.
- Meu filho já está ficando grande. Não quero que ele veja a mãe apanhando.

Viramos uma rua, outra. Fomos andando. Ainda bem que não estávamos de mãos dadas. Ela continuou falando do cara, quando de repente:
- E por um acaso é aquele tá vindo ali!

O cara era magro, baixo. Com três caras. Esses sim eram grandes. Vi o ódio nos olhos dele. Pensei: Apanhei.
- Que porra é essa???

O magrinho nem olhou para cara dela.
- De onde você é?
- Moro aqui, no prédio Castelo Branco.
- Tá maluco, eu moro aqui desde que nasci. Conheço todo mundo nesse prédio e nunca te vi.

Eu morava ali á pouco tempo. Não conhecia ninguém.
- Quem você conhece lá? Meu irmão se eu quisesse te enfiava a porrada agora mermo.

Os amigos dele, até sorriam. Esperando a hora de me bater. Nem pensei, inventei um ditado que me salvou de outras confusões.
- Que isso! Irmão. “Eu tô tranquilo. Você tá tranquilo. Tá todo mundo tranquilo”.

Uma mágica, sei lá sempre dá certo. As pessoas ficam tranquilas. Sabe que controlamos a discussão. Claudia tentou argumentar. Falou que eu era amigo do curso e só iria lhe emprestar alguns livros. O cara ficou mais puto ainda.
- Não falei com você, sua piranha.

Como Claudia queria mesmo era briga, levantou a voz. Começou a perguntar sobre umas meninas do baile do América. E que também tinha o direito de ficar com quem quisesse. E do nada gritou: - Corre Gustavo, corre. O que era um amigo do curso virou um amante. O magrelo me olhava e eu: - Se você tá tranqüilo, se eu tô tranquilo, tá tudo mundo tranquilo. Falei umas dez vezes. Claudia, só repetia sobre as mulheres do baile. Então percebi a merda. De malandro garanhão virei mais um otário usado por uma mulher querendo vingança. O Magro mandou a doida calar boca, mas não adiantou
- Você é safado, escroto, baba...

Nem terminou. Tomou um soco na cara, que eu nunca tinha visto uma mulher levar. Voltou falando:
- Seu filho da...

Tomou outro e caiu de vez. A minha situação ficou desagradável. Entre ajudar a pilantra que me usou ou assistir à tudo e no máximo pedir para ele parar, escolhi a segunda. Um amigo, ouvindo a estória, ficou indignado com a minha atitude. Disse que deveria ter agido. É... até pode ser. Mas talvez, fosse eu no chão e não ela.
Quando meu futuro parecia ser espancado. Aqueles dois socos pareceram beijos num final de uma briga de casal. Senti um ar de ternura entre os dois. O cara mandou os amigos embora. Sedentos por sangue, os rapazes saem tristes como morcegos sem vitima. E para mim:
- Pode ir, rala, rala, rala.

Nem olhei para trás. Quase corri. Mas, ainda pude escutar uma última frase, de Claudia para o magrelo. Como um gemido de orgasmo: suculento, intenso e assustador:
- Eu te amo.
Gustavo Moura Brasil


2 comentários:

Drica Vianna 2 de fevereiro de 2009 11:06  

Vc deveria fazer uma série de contos...retratando as mil facetas femininas...

Tenho certeza que vc tem alguns exemplos...

Flavia Rodrigues 26 de fevereiro de 2009 16:41  

É verdade...
Não duvido que tenha muitas histórias pra contar...

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