sexta-feira, 22 de maio de 2009

Pneumotórax - Manuel Bandeira



O poeta enfrentou graves problemas respiratórios na infância até sendo desenganado pelos médicos. Eles diziam que seria mais uma das várias mortes por Tuberculose no Brasil. Não morreu, mas toda sua família sim. Enquanto ia enganando os médicos e a morte, seus familiares morriam por diversos motivos. O pai, a mãe, a irmã... todos. Perdas e sentimentos que só o modernismo poderia expressar e aceitar esses sentimentos tratados com uma fina ironia e o bom humor característicos. Coisas de Manuel Bandeira.


Pneumotórax

Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.

Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três . . . trinta e três . . . trinta e três . . .
— Respire.

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— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Manuel Bandeira


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